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O Temido Rematch

Este é um dos assuntos que muitas meninas evitam falar ou temem só de pensar.
Sim, o temido rematch faz muitas futuras e ex-Au Pairs pensar na loucura que é um programa de intercâmbio sem garantias.

O que é rematch e como funciona? No que o rematch pode influenciar na vida social e psicológica dos Au Pairs?

Ninguém imagina passar por essa situação, ou pelo menos ninguém quer. Mas algo que muitos Au Pairs ainda não entenderam é o quanto esse intercâmbio em nada nos garante!
É mais ou menos a ideia de que você compra uma passagem mas não tem certeza se o voo vai ser cancelado. Infelizmente, essa é a realidade, afinal, ninguém disse que seria um mar de rosas.

Vamos pegar como exemplo a Au Pair brasileira.
A educação oferecida no Brasil é bem diferente (claro que para muitos a educação é muito boa!). Somos educados a respeitar o próximo, não falar enquanto nossos pais ou qualquer adulto está conversando, organizar seus próprios brinquedos, se vestir e comer sozinho, dentre outras atividades e ensinamentos.

Ou seja, nos deparamos com um terrível choque cultural – que com o tempo compreendemos e aceitamos. É a partir daí que se inicia o que chamamos de relacionamentos familiar entre a host family e a Au Pair.

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No entanto, muitas Au Pairs sofrem algum tipo de desrespeito, seja por parte dos pais ou das crianças, levando então ao rematch. Antes de tudo, muitas vezes as famílias e a Au Pair decidem por uma conciliação amigável, ao qual o rematch passa a não ser algo tão desesperador.

Não se sabe ao certo quantas meninas ja sofreram algum tipo de abuso para que então ocorresse o rematch. O abuso que digo está ligado a ultrapassar as 45 horas semanais, fazer tarefas não descritas no contrato, ou até mesmo ficar sem comida ou um quarto exclusivo.

Todas as LCC’s são obrigadas a fazer uma reunião de intermediação entre a família e a Au Pair, para proceder com o rematch. O que muitas não sabem é o que rola nessa reunião. Claro, que varia de agência e LCC.
Em muitos casos, é a host family quem quebra alguma regra do programa. A agência, consequentemente, tenta ao máximo proteger a Au Pair; no caso de a Au Pair ter quebrado alguma regra (raras vezes) a família é protegida.

Preciso deixar claro que todas LCC’s recebem por manter as famílias no programa e é por isso que independente do que ocorra no rematch, a família será sempre privilegiada. Por vezes, há LCC’s que se tornam anjos e pouco se importam se a família permanecerá ou não no programa, e protege a Au Pair com unhas e dentes – como uma mãe.
Sorte daquelas que encontraram uma LCC dessas.

Após a reunião, a Au Pair fica online novamente para encontrar outra família em 2 semanas – 14 dias exatamente. Muitas Au Pairs não trabalham neste meio tempo, no entanto se vier a trabalhar deve receber, proporcionalmente.

O primeiro sentimento que vem é o de fazer as malas e sair da casa imediatamente. Ninguém gosta de ficar em um lugar que não é bem vindo.
Bate um sentimento de falha e fraqueza, medo e temor, raiva e dor.
Todos os seus planos vão por água abaixo e você não quer comer ou dormir, pensando no que será do amanhã. A única esperança é que é possível encontrar uma família melhor, ou não.

O caso é, toda Au Pair se sente uma homeless: sem casa, cama, comida ou trabalho.
E é normal isso, pois elas se encontram em um país desconhecido, idioma, comida e pessoas, aquele lugar que nunca foi a sua casa.
Por sorte, muitas encontram a tão sonhada família nos primeiros dias e esquece do pesadelo do rematch. No entanto, nada é como nos desejamos e várias meninas passam por isso mais de uma vez.

Claro, que no meio do caminho, o desejo de desistir é inevitável – querer jogar tudo para o ar e voltar para casa – E muitas desistem! No final, o importante é buscar a felicidade e deixar para trás o sonho americano.

O que me deixa mais triste é saber que muitas famílias não querem alguém para ser parte da família e ser como uma irmã ou irmão mais velho – e, é exatamente desta maneira que o programa é oferecido nos Estados Unidos.

Eles querem somente alguém que cuide dos filhos enquanto eles trabalham. E isso destrói todas as expectativas das Au Pairs, o sonho de ter uma família americana e não ser tratada como qualquer um. O que parte das famílias não entendem, é que do mesmo modo nós também temos família, sentimentos, sonhos e um coração. Não estamos nos EUA só por diversão, mas por um ou mais objetivo.

O rematch e parte do programa, não pode ser visto como algo ruim, mas a melhor coisa que pode acontecer. Eu entendo que é difícil guardar essa lembrança que ocorreu durante o seu ano, mas as coisas boas se sobressaem e nada te faz mais feliz senão lembrar que valeu a pena.

Já passei uma vez por rematch e foi muito ruim, mas o melhor de tudo é o que veio depois.
Nunca na minha vida imaginei que pudesse acontecer comigo, mas Deus me presenteou de uma maneira sutil e protetora, com uma família incrível. E por mais que eu tenha sofrido durante 8 meses com a ex-host family, eles me fizeram esquecer tudo e superaram as minhas expectativas sobre ser parte de uma família americana.

O meu conselho é: não se deixe abater por estes sentimentos. Confiar e esperar em Deus é o melhor caminho, porque os planos Dele não são os nossos, por sorte são melhores. O que tiver que acontecer, acontecerá, e você estará preparada(o) e renovada(o) mais uma vez para continuar e acreditar que tudo dará certo.

Antes de tudo, esteja sempre atenta(o) aos sinais de Deus e as pessoas que te amam, porque por mais que ocorra várias coisas, ruins ou não, você nunca estará sozinha(o). Ele colocará pessoas certas no seu caminho e o seu ano com toda certeza será inesquecível!


image1Ana Carolina Alcantara
Biografia:
Nasceu em São Paulo capital é Advogada, formada na Universidade São Francisco, estagiou na Receita Federal do Brasil e no Tribunal de Justica do Estado de São Paulo; Atriz cursando teatro na USF, já apresentou 5 peças, dentre elas “Família quase vende tudo” ao qual estrelou e participou na produção da peça. Formada no curso de corretor de imóveis, atualmente cursa Direito Constitucional na Universidade de Stanford, Califórnia, foi professora voluntária de inglês e gramática em projetos sociais, atualmente trabalha como Au pair nos Estados Unidos. Tempos livre gosta de ler e escrever; escreveu um livro de romance ainda não publicado, inspirado no seu escritor favorito Nicholas Sparks. Gosta de cantar e aprender coisas novas. Apaixonada por música, teatro, cinema e moda.

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