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A Educação e Comportamento das Crianças Americanas

Para muitos que entendem sobre educação, não há muito segredo para cuidar de crianças.
Mas cada pai e mãe cria seu filho de uma maneira, seja ela qual for. Quando se trata de Au Pair brasileira, sabemos o quanto há uma enorme diferença entre as crianças criadas no Brasil e as criadas nos Estados Unidos.
Criança é criança em qualquer lugar, mas a forma de como os pais criam muda tudo, e muitas Au Pairs sabem o quanto é difícil lidar com o comportamento deles.

Já se sabe e isso não é segredo o quanto as crianças, seja a idade que for, têm os seus problemas. Mas e quando se trata de comportamento relacionado às boas maneiras? É perceptível o quanto as crianças americanas têm dificuldade em compreender o certo e o errado.

Uma criança brasileira jamais interrompe uma conversa entre adultos, e se o faz, é rigidamente repreendida. Agora uma criança americana faz e os pais ainda acham normal, porque é apenas uma criança agindo como criança. Não estou criticando o modo de como eles criam, mas a forma como reagem isso.

img_3070Quando a Au Pair brasileira chega para cuidar das crianças americanas, ficam completamente assustadas com a diferença e sofrem. Sofrem porque não sabem como se comportar e tratar isso. Não é segredo pra ninguém o quanto várias Au Pairs brasileiras já tiveram que passar na mão desses anjinhos disfarçados. No Facebook, ou YouTube é possível verificar relatos reais de o quanto isso desgasta mentalmente a Au Pair e seu relacionamento com a host family, resultando claramente no rematch. E como se não bastasse, a culpa é sempre da Au Pair.

Vamos ser justos e pôr as cartas na mesa.
O por quê os pais americanos não criam as crianças com boas maneiras? Porque isso sim, se chama falta de educação. A expressão é literal, mas mal compreendida. Sim, porque muitos dizem que são apenas crianças. Crianças, não são como animais, por isso impossível declarar isso.

Não estou generalizando, porque conheço famílias americanas que educam as crianças excepcionalmente bem, colocando em primeiro lugar o respeito ao próximo e isso inclui a Au Pair. O problema maior está em determinadas situações. Mães querem ser as melhores do mundo, e se dedicam a maior parte de seu tempo, amor, dedicação, carinho e dinheiro para seus filhos. Mas essa atitude pode trazer graves consequências. Elas querem que o filho tenha o melhor e faça o melhor, mas e quando esse objetivo não é alcançado, frusta a todos, mas em especial a criança.
E dessa forma eles aprendem que tem que ser do jeito que eles querem sempre, não importa a hora ou lugar, quem ou quando, tudo o que desejarem deve ser feito.

Mas então a culpa é da mãe?
Não.
A culpa é do amor. Parte das mães americanas não compreendem que não se compra o amor com presentes, brinquedos e tudo o que as crianças desejam, mas com a atenção, que com toda certeza é primordial e vale mais que qualquer bem.

O pai é o que trabalha e parte do tempo está ausente, causando um certo incômodo emocional na criança. E parte deles, não sabem lidar com situações surpresas, de mal comportamento, por exemplo, das crianças. A conversa entre pais é parte importante da educação, de como eles devem ou não castigar e até que ponto é possível puxar ou não a orelha, diga-se apanhar.

Tragicamente a Au Pair deve estar envolvida em toda essa situação, expondo seu ponto de vista e a melhor maneira para resolver.
Claro que não é um desafio fácil, mas possível quando resolvido com adultos. Pai e mãe, sabem o quanto é doloroso ver um filho fazer algo não aprovado, mais pior do que isso, é quando fazer algo que fere os outros e em nada são punidos ou repreendidos.

E o que fazer quando o problema é com a criança e não com os pais?
Outro ponto discutível: trabalhar com a psicologia infantil.
Nem pai, nem mãe consegue colocar um ponto final, aí entra o trabalho da Au Pair. De uma maneira ou de outra, eles acabam respeitando mais quem faz com que eles respeitem, e não há arrependimentos.

fullsizerender-3O ponto chave está no tratamento. A criança começa a entender que não há outra saída se não obedecer e respeitar, desde que a Au Pair seja resistente e sábia no que está fazendo.
Claro que no começo é sempre difícil, mas com o tempo, há um notável amadurecimento das crianças diante de tais situações. Vale lembrar que não se pode fazer algo que não seja autorizado pelos pais, como castigos ou punições severas.

O que vale depois de tudo, além do respeito que você constrói com a criança é o amor.
Por mais que você chore e sofra com as adversidades nesta vida de Au Pair, aquele “I love you” destrói qualquer coisa ruim e inunda o nosso coração.

Não é só família que amamos tanto, mais também um ser que mal conhecemos e convivemos todos os dias de nossa vida, seja durante um ou dois anos, e nem sequer são nossos filhos. Mais vale um ano de fortes emoções do que uma vida inteira sem nenhum acontecimento, não é mesmo?

Criança é e sempre será criança. A única diferença está em como você decide amá-la.


image1Ana Carolina Alcantara
Biografia:
Nasceu em São Paulo capital é Advogada, formada na Universidade São Francisco, estagiou na Receita Federal do Brasil e no Tribunal de Justica do Estado de São Paulo; Atriz cursando teatro na USF, já apresentou 5 peças, dentre elas “Família quase vende tudo” ao qual estrelou e participou na produção da peça. Formada no curso de corretor de imóveis, atualmente cursa Direito Constitucional na Universidade de Stanford, Califórnia, foi professora voluntária de inglês e gramática em projetos sociais, atualmente trabalha como Au pair nos Estados Unidos. Tempos livre gosta de ler e escrever; escreveu um livro de romance ainda não publicado, inspirado no seu escritor favorito Nicholas Sparks. Gosta de cantar e aprender coisas novas. Apaixonada por música, teatro, cinema e moda.

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